Almas e borboletas, por Gilka Machado

Há certas almas como as borboletas, cuja fragilidade de asas não resiste ao mais leve contato, que deixam ficar pedaços pelos dedos que as tocam.
Em seu vôo de ideal, deslumbram olhos, atraem as vistas: perseguem-nas,  alcançam-nas, detêm-nas, mas, quase sempre, por saciedade ou piedade, libertam-nas outra vez.
Elas, porém, não voam como dantes, ficam vazias de si mesmas cheias de desalento…
Almas e borboletas, não fosse a tentação das cousas rasas;

– o amor de néctar  – o néctar do amor, e pairaríamos nos cimos, seduzindo do alto, admirando de longe!…

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Para o meu poeta… um poema

“Os poemas são pássaros  que chegam, não se sabe de onde e pousam no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôos como de um alçapão.
Eles não têm pouso nem porto, alimentam-se um instante em cada pde mãos e partem.
E olham então, essas tuas mãos vazias, no maravilhoso espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti.” Mário Quintana.

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Borboletas, de Mário Quintana

Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de se decepcionar é grande.
 
As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela.
 
Temos que nos bastar… nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.
 
As pessoas não se precisam, elas se completam… não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.
 
Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.
 
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente a gostar de quem gosta de você.
 
O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.
 

No final das contas, você vai achar
não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!

Mário Quintana (1906-1994) foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro.

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Minha alma tem o peso da luz, de Clarice Lispector

A minha alma tem o peso da luz.
Tem o peso da música.
Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita.
Tem o peso de uma lembrança.
Tem o peso de uma saudade.
Tem o peso de um olhar.
Pesa como pesa uma ausência.
E a lágrima que não se chorou.
Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.
Clarice Lispector foi uma escritora naturalizada brasileira. Autora de vários ensaios,  crônicas, livros como Perto do Coração Selvagem, A descoberta do mundo,  A hora da estrela, Laços de família, Minhas queridas e muitos outros

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Bahia querida, de Juraci Rocha Silva

Encontrei essa poesia feita em homenagem à Bahia. Linda! “… confesso que te adoro demais, por teu perfil e carisma mil…”
Sumi…Para aumentar a saudade
Apareci para retribuir a felicidade
Gosto demais desse pedaço de chão
Sou marcado por teu amor no coração

Confesso que te adoro demais
Por teu perfil e carisma mil
Mesmo ausente, não te esqueço jamais
Musa do meu coração, musa do Brasil

Em tuas ruas de cores festivas
Do teu povo que é alegre conviva
Vejo nos rostos felizes e faceiros
O perfil de um povo brasileiro

Tudo em ti é grande demais
Palavra do teu filho amado
Sou de ti um valente soldado
Juro! Não te esquecerei jamais

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Fanatismo, de Florbela Espanca

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver.
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!…

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

Florbela Espanca foi uma poetisa e escritora portuguesa. Autora de livros como: Livro de Sóror Saudade, Livro de Mágoas e Charneca em Flor.

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As mãos do meu pai – Homenagem ao Dia dos Pais

As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
— como são belas as tuas mãos —
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos…

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas…

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.

E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas…
essa chama de vida — que transcende a própria vida…
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma…

Mario Quintana

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Realidade da poesia, de Filipe Cézar

Poesia é a expressão de amizade,
Amor, afeto e paixão.
Você desenvolve a imaginação
E uma enorme criatividade.
E com liberdade
Faz estrofes de fantasia
E de luz.
Mas também frases de escuridão.
Dentro de nós,
Nascerá a alegria,
Sentimento, carinho
E vontade de viver.
Projeto Palavra em Ação VI, do Colégio Moraes Rêgo – 2003.

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